sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Dia 14

Dia 14  ♥


Existem etapas duma vida, que é melhor guardar para nós.
Conheci uma menina, uma menina que foi feliz durante esses anos de namoro, uma menina que deu tudo, mas tudo tem um fim. 
Foram-se sonhos e promessas em vão.
Quando ela achou que tudo estava a ir bem, o seu coração já não tremia, o seu coração já não batia tão forte, algo aconteceu inesperadamente.
Uma dor, uma dor forte que sem saber, lhe mudaria a vida, que mudaria tudo.
A dor continuava, as tonturas, os atrasos, mas já tinha sido normal antes, não haveria problema, mas a dor continuava, a indisposição, tudo começava a ser fora do normal.
Foi parar ao hospital, as lágrimas caíram, o que se estaria a passar, a menina continuava preocupada.
Os médicos fizeram exames, analisaram a dor e a noticia estava a chegar, o corpo da menina tremia, o corpo ficava dormente, a dor estancava.
Já se ouvia os passos, aqueles passos lentos e que parecem demorar eternidades.
Os olhos já diziam tudo, era um dos sonhos a caminho, nasceria dentro de meses, o coração da menina parou, ficou sem ar e sem chão.Ninguém reagiu, ninguém falou, a tensão era notável, os olhos enchiam-se de água.
Só a mãe estava presente, e não falou, apenas a abraçou, aquele abraçou simbolizou tudo, mas não havia por onde pensar, não havia por onde existir escolhas, a solução era só uma... e aconteceu, a menina chorou dias a fio, mas seria o melhor, o rapaz já não ia estar presente nem ia querer saber, tinha que ser assim.
Mais tarde, fez-se exames e tudo estava bem, tudo tinha voltado ao normal, e aí sim, avisou o rapaz só para se sentir tranquila, então disse-lhe que tudo estava bem, e que as suas vidas seguiam em frente.
Mas a verdade ficou com ela, apenas para não o magoar e sentir pena, ela só queria que ele fosse feliz, sabendo ela que ele já nem pensava nela, já não fazia sentido mostrar-lhe dor, mostrar saudade...
E ainda assim, a menina ainda adormece e sonha, sonha a passear no jardim com o rapaz com quem partilhou uma vida, agarrada ao menino a quem, em tempos, já lhe tinham dado um nome, e sorrirem juntos como se fossem família, como se o mundo ainda fosse perfeito.
Mas, tudo não passa de sonhos e é neles que a menina se sente segura, onde ainda recebe sorrisos traquinas e abraços apertados.
Falar sempre foi mais fácil, mas só esta menina sabe o que sentiu e o que ainda sente, o quanto é difícil caminhar sozinha com este aperto no coração, saber que em tempos, tudo podia ter sido diferente...


Bem, por hoje é só.
Mónica Ribeiro

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